Outubro Rosa

15/7/2018 15:00 Plataforma reúne empreendimentos da economia criativa de refugiados

Uma plataforma vai reunir diversas iniciativas na área da economia criativa de refugiados que vivem na capital paulista. O projeto Deslocamento Criativo será lançado neste sábado (14) para ser um canal de integração entre o público e estrangeiros que trabalham com gastronomia, moda, música, arte e artesanato. Os empreendedores cadastrados vem de países como Síria, Palestina, República Democrática do Congo, Angola e Senegal.

A idealizadora do projeto, Maria Nilda Santos, conta que desenvolveu a plataforma a partir da experiência de quase 14 anos trabalhando com organizações não governamentais ligadas ao tema. “Tem muito uma coisa de caridade, doação de coisas que não é exatamente o que eles querem. Eles querem ser vistos positivamente. Eles impactam a cidade, consomem, trabalham. Então, eu quis mostra de uma forma positiva”, explica sobre as ideias que norteiam a construção da plataforma.

Para ser viabilizada, a proposta contou com recursos do Programa de Ação Cultural do governo de São Paulo captados via edital. Agora, Nilda trabalha para trazer cada vez mais estrangeiros para usarem o sistema. “Alguns eu já conhecia, mas muitos tem que ir no corpo a corpo, nos eventos, nos restaurantes. É muito presencial”, comenta como tem sido feito os convites.

Ela explica que leva tempo para que esse esforço surta efeito. “A informação demora a chegar ou às vezes chega e não conseguem responder. Demoram a responder, hora porque não tem sinal de internet, hora porque estão com a cabeça quente tentando sobreviver”, acrescenta.

Alternativa para sobreviver

 

O sírio Anas Obeid no estande que comercializa perfumes árabes artesanais, na Mooca. - Rovena Rosa/Agência Brasil
O sírio Anas Obeid no estande que comercializa perfumes árabes artesanais, na Mooca. - Rovena Rosa/Agência Brasil

Trabalhar com cultura, destaca Nilda, nem sempre é a primeira opção dos estrangeiros que chegam ao Brasil para escapar de perseguições e conflitos nos locais de origem. Com dificuldades com a língua e de regularizar os documentos para as profissões que exerciam, muitos se voltam para atividades que antes eram exercidas como hobbie ou dentro do ambiente familiar. “Nem todo mundo vem preparado para essas áreas e acaba descobrindo aqui”, ressalta.

O jornalista Anas Obeid, de 30 anos, está no Brasil há dois anos, fugindo da guerra na Síria, onde chegou a ser sequestrado pelo Estado Islâmico. Aqui, passou a vender os perfumes que antes fazia para si mesmo. Ele percebeu a oportunidade devido aos diversos elogios que recebia pelas fragrâncias que usava.  

No box que ocupa em uma galeria na Mooca, zona leste da capital, Obeid diz que já é capaz de adivinhar o que vai agradar os clientes. “O cliente chega e eu pergunto: Que tipo de perfume você gosta? Amadeirado? Doce? Eu posso imaginar no jeito das pessoas, nas roupas, na maneira de falar, se são calmos, se têm mais energia”, explica sobre os sinais que ajudam a ler as preferências de cada pessoa.

Edição: Amanda Cieglinski


Fonte: Agência Brasil - http://agenciabrasil.ebc.com.br


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