Preços domésticos mais remuneradores para o
leite, baixa competitividade e câmbio valorizado praticamente tiraram o Brasil
do mercado exportador de lácteos neste ano. No primeiro quadrimestre, o déficit
da balança comercial do segmento alcançou US$ 179 milhões, quase o déficit total
registrado em 2010, que ficou em US$ 190 milhões.
Conforme dados
compilados pela Scot Consultoria com base nos números da Secex, o Brasil
exportou apenas US$ 27,1 milhões em lácteos e importou US$ 207 milhões entre
janeiro e abril deste ano. Em igual período de 2010, as exportações somaram US$
56,2 milhões e as importações, US$ 88,6 milhões.
Mesmo com os preços em
alta dos lácteos no mercado internacional, está sendo mais vantajoso para os
laticínios venderem no mercado doméstico. E as cotações elevadas não são
suficientes para inibir as importações, já que a desvalorização do dólar em
relação ao real estimula as compras.
A mineira Itambé, uma das mais
importantes exportadoras, estima que irá vender ao exterior este ano cerca de
US$ 20 milhões, segundo Jacques Gontijo, presidente da central de cooperativas.
A empresa chegou a exportar US$ 220 milhões em 2008, quando as vendas externas
brasileiras foram beneficiadas por preços elevados e demanda aquecida.
"Em três a quatro anos, o Brasil não vai voltar a exportar", avalia
Gontijo. Segundo ele, o preço do leite em pó no mercado doméstico hoje equivale
a US$ 5 mil por tonelada (já descontado ICMS) enquanto o preço na exportação
está na casa dos US$ 4 mil.
Rafael Ribeiro, analista da Scot, acredita
que as importações podem aumentar mais no meio do ano. Laércio Barbosa, diretor
comercial do Laticínios Jussara, diz que a importação de lácteos é uma "variável
a ser monitorada", já que pode desestimular a produção se derrubar os preços.
A estimativa de Barbosa é de que o Brasil deverá ter um déficit de mais
de US$ 300 milhões este ano na balança comercial de lácteos. Os preços firmes do
leite no mercado doméstico são uma das razões para a competitividade menor.
Citando dados do Cepea/Esalq, o diretor da Jussara observa que o custo
do leite em dólar hoje está em cerca de US$ 0,53 (R$ 0,85 por litro). Em outros
países exportadores - como Nova Zelândia, Argentina e EUA - está em torno de US$
0,35 a US$ 0,40 por litro, diz.
O último levantamento da Scot
Consultoria mostra que os produtores receberam este mês, em média R$ 0,799 por
litro de leite entregue em abril. O valor supera em 2,96% o mês anterior.
O mercado está firme, segundo Rafael Ribeiro, porque a falta de chuvas
afeta pastagens e reduz a oferta de leite nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.
Ainda que as importações estejam elevadas, a demanda aquecida também
sustenta os preços do leite, segundo ele. "A alta dos preços não afetou o
consumo", afirma o analista. A estimativa, segundo Barbosa, é que o consumo de
leite longa vida tenha subido 3% no po primeiro trimestre deste ano.
Conforme o levantamento da Scot, o longa vida saiu de R$ 1,91 por litro,
em média, no atacado em abril para R$ 1,93 este mês.
http://www.bigma.com.br/
Fonte:
Valor Econômico
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